[Ana Miranda)
PAPÉIS EM BRANCO
As coisas mais bonitas que escrevo, é com aquele meu velho lápis sem ponta que ponho no papel. Vou simplesmente lançando mão das palavras. São como cartas de mim para mim mesmo, portanto não há rebuscamento. Tenho vontade de expor essas coisas um dia. Algum dia, talvez. Tenho vontade de publicar histórias, mas as mais belas que escrevo fogem do papel, e acabo esquecendo-as - voam e vão ser vividas por ai. Quem será que as vive? E quem será que escreveu esta que tenho vivido? Não, não acredito em destino, acredito em Deus! Ele é o Autor do destino?! Sendo assim, eu acredito então. Mas depende do sentido que você dê para Destino, viu. A relatividade das palavras pertencentes à essa língua que falamos, faz mister entendimento prévio e coerente do contexto em questão, antes de lhes atribuirmos semântica!
Lidar com as palavras, tentando prendê-las sob o grafite, exige engalfinhamento; são duras na queda! Nesse ponto, tive mais facilidade outrora; hoje, elas parecem pressentir que quero eternizá-las no papel e fogem. Mas isso não me é problema! Entendo-as, até as estimulo a fugir - acho que é só pelo prazer provocado pelo 'entrave corporal' metafísico entre nós, eu e elas. Gosto dessas coisas, assim como gosto do gosto do mar quando estou a observá-lo de longe, sem me molhar. Sei que não é assim com todos os outros, as palavras têm marcação comigo, gostam de fazer-me sofrer; e eu insisto, porque gosto de fazer-me sofredor por elas. Literomasoquismo? Não sei. Analisarei os radicais e o contexto, depois digo se é isso mesmo.
As palavras são livres como poucos homens o são. Tornaram-se livres quando perceberam que estavam presas e que precisavam soltar-se, então lutaram e conseguiram - aprendi isso vagando pelos Nossos Campos. Coisas conquistadas são bem mais valorizadas, por isso, respeito o direito que elas têm de fugir de mim quando escrevo; e sinto-me honrado quando as venço, devoro-as e extraio o máximo que posso, delas; como num ritual logofágico. Às vezes canso dos tapas e parto para os beijos, aí resolvo usar aquele velho lápis. Sua madeira, sem mais sinal de grafite, raspa levemente o papel; e as palavras se entregam ao barulho que o atrito, entre as duas superfícies, faz. Dengosas, não enfezadas como antes, se deixam embalar pelos sons balbuciados que faço enquanto escrevo; ao hálito quente deste inexperiente escritor, que quer simplesmente curti-las e não as fazer suas, as palavras se despem; então escrevo coisas das mais bonitas; as quais, em meia hora, nem eu mesmo conseguirei ler mais.
3 comentários:
Ari, pôxa!
achei esse seu blog meio por acaso no seu orkut e, sério, não sabia que você escrevia tão beeeem!
dei umas lidas por aqui, amei amei!
parabéns. :)
:D
sem mais detalhes, escreve MUITO bem ..
sucesso!
"Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso"
(Fernando Pessoa)
Com um sorriso, as pessoas terão melhor impressão sua, e você estará afirmando para si mesmo, que está "pronto"para ser feliz.
Trabalhe, trabalhe muito a seu favor.
Pare de esperar que a felicidade chegue sem trabalho.
Pare de exigir das pessoas aquilo que nem você conquistou ainda.
É meu 'Filho'...
A vida...
Ô vida, essa que não vivemos da maneira adequada e talvez da forma mais singela de se viver...
Vivemos, apenas vivemos para si, e nunca para nós...
Entende?
Não, porque todos aqueles que vivem, realmente não conseguem, e sim, deixam de viver pelo simples fato de ter medo de encarar ou de renunciar o que mais lhe interessa...
Viva intensamente cada milésimo, segundo, minuto e cada hora...cada dia, semana, ano e cada década...seu caráter não muda simplesmente porque o tempo passou ou porque você quer, e sim porque você precisa, é fato!
Fale, coloque a boca no mundo... Escreva o que no momento você está pensando ou sentindo...E depois apague, rasgue, sei lá...faça aquilo que lhe 'der na telha', afinal de contas, a vida é sua mesmo...
O tempo não irá lhe castigar só por que você tem "problemas", se é que você encara 'isso' como um problema...para mim, e também acho que para você isso é apenas momentos ruins e passageiros que surgem nas nossa infame e sórdida vida.
Nossa, você deve estar pensando agora...será que esse cara tem raiva do mundo?
Não, não tenho só raiva do mundo, mas como do Universo em que vivemos...Associação global e bem generalizada da minha parte, pode até ser uma exclusão social que faço agora, mas quem me garante que daqui a vinte ou trinta anos estarei aqui na frente do meu computador digitando o que quero, e o que penso, com os meus erros ortográficos da maneira mais lúdica, ao invés de só em pensar já tem alguém ou alguma máquina 'humana' distinguindo de todas as formas mais capciosas?
Não galera...
Apenas fico calado, a ouvir o que o povo pensa, o que o povo diz e até o que o povo escreve...é, mas realmente não me interesso muito no silêncio, ele é muito sacal.
Prefiro 'prosas' bem interessantes que possam ocupar os meus ouvidos e secar os meus lábios de tanto falar, isso é o que realmente me interessa...mas de vez enquanto ficar só é bom, aliás, é ótimo...
pra gente pensar, refletir naquilo que foi pensado, sonhar, ter tempo e coragem de tentar realiza-lo.
Chega!
Já estou ficando exausto de tanto falar besteiras...olha aí eu me intrigando mais uma vez nos erros gramaticais...afinal, não estou falando ditamente, apenas digitando o que penso!
Isso é apenas fato!
E contra fatos não há argumentos!
Ari.
Fica na Paz
Abraços...
By: Theo
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