sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Canta Passarinho

"Eu já nem lembro 'pronde' mesmo que eu vou/ Mas vou até o fim..."
(Até O Fim - Chico Buarque)


TEXTO
CANTA PASSARINHO!

Um Pássaro pousou na janela do meu quarto hoje, tranqüilo pousou ali, cantou, passou um tempo e depois voou. Qual seria a angústia de um Pássaro, desses que vivem soltos? Sim, pois a angústia não é - definitivamente não é - algo só dos homens. Da mesma janela, onde vi o Pássaro, vejo, por trás do Pé-de-Jambo que há no meu quintal, uma cadela que é angustiada - a Cadela da Vizinha de trás é angustiada - acho que é por conta da corrente que limita o seu espaço ou mesmo por conta da Criança da Casa, que cresceu e não lhe dá mais atenção.
Não vejo nada nesses pássaros silvestres livres que demonstre angústia, por isso concluo que eles não a sentem. Mas, pensando bem, é totalmente possível fingir que não se sente o que se está sentindo. Quer dizer que os pássaros mentem! Ou, talvez, só não consigam expressar o que sentem... Coitados dos pássaros! O seu coraçãozinho, que é tão tetracavitário quanto o nosso, tendo que suportar angústias que nós logo fazemos por onde externar para não sermos sufocados por elas!
Como diria o pensador - qual era mesmo o nome? Aristóteles, Aristarco, Arimatéia... é uma coisa assim - Para quem quer que seja, nada é mais angustiante que não poder externar sua angústia. Os pássaros cantam, mesmo quando queriam gritar, chorar, bater. Eles só cantam. E aquele Pássaro era angustiado acho que por isso. Quando ele pulou da minha janela, foi gastar o céu num vôo sedoso e solitário. O que levaria alguém a gastar o infinito, que o ilimita, assim sozinho?
DICA
Contando Machado de Assis
O Pojeto EnCENAção de dezembro inicia hoje, 5, e vai até o dia 7. Sempre às 20h, no Teatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, será apresentado o espetáculo CONTANDO MACHADO DE ASSIS que traz à cena os contos Missa do Galo e Mariana entrelaçados por partes de Dom Casmurro. O
acesso é livre, mediante apresentação de senhas distribuídas 1 hora antes do espetáculo. A gente se vê por lá! Um cheiro.

9 comentários:

cinemaignorante disse...

Muito bom seu texto man, gostei mesmo do blog.

http://cinemaignorante.blogspot.com

Marcelo disse...

Cara sensacional o texto. Parabéns pelas coisas que você escreve e também pelo seu blog.

http://papodomarcelo.blogspot.com/

Rodrigo; disse...

"qual era mesmo o nome? Aristóteles, Aristarco, Arimatéia... "
ma-ra!
ei, ei, todos no Dragão ein ;DD

abraço!

Fran* disse...

Mais triste q ser assim angustiado é realmente não poder gritar,externar a loucura,mostrar ao mundo o não-conformismo,demonstrar as dores e feridas!Ah meu bem,escreve sobre as coisas simples de uma maneira tão sublime q encanta..Gosto mesmo daqui,da simplicidade recheada de metáforas.Um beijo!

Unknown disse...

tirou esse texto de onde?? uhauah

Quando ele pulou da minha janela, foi gastar o céu num vôo sedoso e solitário. O que levaria alguém a gastar o infinito, que o ilimita, assim sozinho?

massa :D

Anônimo disse...

Cara você me fez lembro de uma blogueira, a [Jay], ela escreve assim, muito boa, só que um hack estragou o blog dela... O nome do blog era deixa eu brincar de ser feliz, um trecho de uma música da banda los hermanos...

Parece que encontre um blog, que é do estilo dela...

E sab o que é mais interesante, que você é de Fortaleza hehehe, Eu sou de Guaramiranga...

Abraço!

Anso disse...

Gostei + do tetracavitário!
Poxa meu fi... agora naum sei se ainda quero ser um pássaro...
só sei q naum guardarei minha angústia! agora como uma revoad seremos cúmplices, pois nossashistórias estaum todas por aki!

Fernanda disse...

perfeito.

O amor de Deus não tem limites! disse...

Lide muito bem feito, pois nos mostra o correto uso das regrinhas Quê, Quem, Quando, Como, Onde, Porque. O autor com a continuação da matéria usa também as mesmas formas que os autores dos lides anteriores utilizaram, a questão da intertextualidade. Parabéns! Showbe!