terça-feira, 18 de novembro de 2008

Quer ir mais eu?





"Coqueiro da Bahia,
Quero ver meu bem agora!
Quer ir mais eu, vamos! Que ir mais eu, vambora".

Texto
GALOPE
Hoje acordei com vontade de cavalgar, de galopar à beira-mar, de correr a praia sentindo a água gelada respingar nos meus pés à pressão que as patas do meu Alazão fariam sobre a bruma que lambe aquela areia fina, pela manhã.
Acordei, hoje, com vontade de descrever, em estrofes de dez versos hendecassílabos, a paixão que sinto a tudo isso, à América do Sul, ao Brasil, ao Ceará, à fauna e à flora nativas da gleba onde habito, a qual também habitou Alencar - por sinal, meu vizinho -, autor de Iracema, a musa morena dos lábios de mel que vejo a banhar-se todos os dias nas águas da lagoa de messejana enquanto faço minha caminhada vespertina. Acordei com vontade de descrever o amor que sinto ao meu Amor!
Ah, quem me dera saber tocar viola! Mostrar-me-ia àquela moça bonita, a quem faço corte! Venceria os outros violeiros nos mais exaustivos duelos, cantando em sua homenagem, e vê-la-ia corar. Quem me dera ter uma roseira em casa para poder arrancar a mais bela das rosas e ofertar àquela moça bonita, da qual falei, quando terminasse minhas cantorias!
Hoje acordei com vontade de cavalgar, de galopar à beira-mar, de correr a praia sentindo a água, já não tão gelada, respingar nos meus pés à pressão que as patas do meu Alazão fariam sobre a bruma que lambe aquela areia fina, ao fim da tarde, ao vento, ao sol se pondo, ao cheiro da pele dela que aperta minha cintura enquanto galopamos juntos, à mesma sela.


opinião
AVENTURAS DA MESTIÇAGEM
Ontem, 18, de passagem rápida pela VIII Bienal Internacional do Livro do Ceará, conversei um pouco com o Alan Damasceno (que vive o personagem Zé Cordel) depois da apresentação dele, enquanto assistíamos aos nossos fantásticos violeiros ( que inclusive fizeram uns versos citando-me durante a apresentação. Era um duelo, acho; ao menos era parecido). O Alan faz apresentações em eventos, recitando histórias de cordel, além de participar do Programa Nossa Arte [na BAND, aos domingos, às 6:30 da manhã. No orkut procure ZÉ CORDEL], ao qual assisto e indico a você que assista também; conversamos sobre Cordel, Repente, Viola... Como um fã assumido da cultura nacional, e da nordestina em especial, eu sou suspeito em comentar essas expressões artísticas, mas é preciso enaltecê-las, são algo maravilhoso! Toda a técnica que há em criar-se um Martelo Galopado ou um Galope à Beira-Mar me deixa mais fascinado ainda, por ver a facilidade com que nossos poetas natos o fazem. Meus aplausos a eles, que se garantem, e a todos que os admiram também. Admirar a arte é uma arte!

VIII Bienal Internacional do Livro do Ceará até o dia 21 no Centro de Convenções
A gente se vê por lá!













13 comentários:

WILLIAM ROCHA disse...

CAracas!!!!!

isso eh q eh um texto!!!

uh huuu... muito bom!!

adorei!

Unknown disse...

esse texto é mara =]
vambora ^^

Fran* disse...

Como transforma coisas simples em tão mágicas palavras?Me ensina,vaaai..hahaha
Um beijo ;*

Anso disse...

gostei do: "em estrofes de dez versos hendecassílabos" e diz aí aqueles cordeis taum massa!! e esse texto ta com uma cara de Almir Sater em uma simplicidade Ariana!! gostei!

Douglas Silveira disse...

uiiiiii é mara..

Ellen Regina - facetasdemim disse...

nessas andanças de blog em blog é difícil encontrar um texto original como esse!

kilder disse...

legal o teu blog! parabens...

José S. disse...

oi, to passando pra retribuir a visita...
com mais calma leio e comento com propriedade..

abração

O Psicólogo e a Jornalista disse...

A Usina agradece a sua visita e seja muito bem vindo ao nosso blog!Muito inteligente e bem escrito o texto.Vc está de parabéns!Ainda bem q vc lembrou q a Bienal termina amanhã, vou tirar um tempinho para ir.Abçs.

Ana Luiza Valente disse...

Óbvio, maravilhoso. Gostei do tom poético, da musicalidade do primeiro parágrafo.

A cada dia que passa vejo como nossa expressão literária é diferente.

Ari, grande Ari, parabéns mais uma vez.

Um beijo,

Zenaide.

Anônimo disse...

eu do nota 10 !!!

Rodrigo; disse...

'estrofes de dez versos hendecassílabos'..

não faço idéia do que seja, mas ficou ma-ra!

EntreAtos disse...

Cordial a quem encanta-se com uma plasticidade perfeita...
Cavalgando ou galopando compreende em si o que é de fato "um não sei o quê vindo não sei de onde".
=*****Amei!