
Texto
GALOPE
Hoje acordei com vontade de cavalgar, de galopar à beira-mar, de correr a praia sentindo a água gelada respingar nos meus pés à pressão que as patas do meu Alazão fariam sobre a bruma que lambe aquela areia fina, pela manhã.
Acordei, hoje, com vontade de descrever, em estrofes de dez versos hendecassílabos, a paixão que sinto a tudo isso, à América do Sul, ao Brasil, ao Ceará, à fauna e à flora nativas da gleba onde habito, a qual também habitou Alencar - por sinal, meu vizinho -, autor de Iracema, a musa morena dos lábios de mel que vejo a banhar-se todos os dias nas águas da lagoa de messejana enquanto faço minha caminhada vespertina. Acordei com vontade de descrever o amor que sinto ao meu Amor!
Ah, quem me dera saber tocar viola! Mostrar-me-ia àquela moça bonita, a quem faço corte! Venceria os outros violeiros nos mais exaustivos duelos, cantando em sua homenagem, e vê-la-ia corar. Quem me dera ter uma roseira em casa para poder arrancar a mais bela das rosas e ofertar àquela moça bonita, da qual falei, quando terminasse minhas cantorias!
Hoje acordei com vontade de cavalgar, de galopar à beira-mar, de correr a praia sentindo a água, já não tão gelada, respingar nos meus pés à pressão que as patas do meu Alazão fariam sobre a bruma que lambe aquela areia fina, ao fim da tarde, ao vento, ao sol se pondo, ao cheiro da pele dela que aperta minha cintura enquanto galopamos juntos, à mesma sela.
opinião
AVENTURAS DA MESTIÇAGEM
Ontem, 18, de passagem rápida pela VIII Bienal Internacional do Livro do Ceará, conversei um pouco com o Alan Damasceno (que vive o personagem Zé Cordel) depois da apresentação dele, enquanto assistíamos aos nossos fantásticos violeiros ( que inclusive fizeram uns versos citando-me durante a apresentação. Era um duelo, acho; ao menos era parecido). O Alan faz apresentações em eventos, recitando histórias de cordel, além de participar do Programa Nossa Arte [na BAND, aos domingos, às 6:30 da manhã. No orkut procure ZÉ CORDEL], ao qual assisto e indico a você que assista também; conversamos sobre Cordel, Repente, Viola... Como um fã assumido da cultura nacional, e da nordestina em especial, eu sou suspeito em comentar essas expressões artísticas, mas é preciso enaltecê-las, são algo maravilhoso! Toda a técnica que há em criar-se um Martelo Galopado ou um Galope à Beira-Mar me deixa mais fascinado ainda, por ver a facilidade com que nossos poetas natos o fazem. Meus aplausos a eles, que se garantem, e a todos que os admiram também. Admirar a arte é uma arte!
VIII Bienal Internacional do Livro do Ceará até o dia 21 no Centro de Convenções
A gente se vê por lá!
13 comentários:
CAracas!!!!!
isso eh q eh um texto!!!
uh huuu... muito bom!!
adorei!
esse texto é mara =]
vambora ^^
Como transforma coisas simples em tão mágicas palavras?Me ensina,vaaai..hahaha
Um beijo ;*
gostei do: "em estrofes de dez versos hendecassílabos" e diz aí aqueles cordeis taum massa!! e esse texto ta com uma cara de Almir Sater em uma simplicidade Ariana!! gostei!
uiiiiii é mara..
nessas andanças de blog em blog é difícil encontrar um texto original como esse!
legal o teu blog! parabens...
oi, to passando pra retribuir a visita...
com mais calma leio e comento com propriedade..
abração
A Usina agradece a sua visita e seja muito bem vindo ao nosso blog!Muito inteligente e bem escrito o texto.Vc está de parabéns!Ainda bem q vc lembrou q a Bienal termina amanhã, vou tirar um tempinho para ir.Abçs.
Óbvio, maravilhoso. Gostei do tom poético, da musicalidade do primeiro parágrafo.
A cada dia que passa vejo como nossa expressão literária é diferente.
Ari, grande Ari, parabéns mais uma vez.
Um beijo,
Zenaide.
eu do nota 10 !!!
'estrofes de dez versos hendecassílabos'..
não faço idéia do que seja, mas ficou ma-ra!
Cordial a quem encanta-se com uma plasticidade perfeita...
Cavalgando ou galopando compreende em si o que é de fato "um não sei o quê vindo não sei de onde".
=*****Amei!
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