segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Vivo pedalando sem direção

"Quero, quero, quero, quero,
quero andar de bicicleta.
Vivo pedalando, pedalando, pedalando sem direção.
Andar pelo Oriente ou pelo Ocidente. Viajar. Conhecer o Brasil"
(Wagner Castro - Trecho da canção Bicicleta]
Uma pequena homenagem a esse cara, do qual eu tive a honra de ser aluno este ano.
Sábado passado à noite, eu estava sentado num dos banquinhos de madeira em frente ao MAC do Dragão do Mar, lendo Érico Veríssimo, quando começou a tocar nas caixas de som ambiente: "Quero, quero, q..." Deixei o Érico de lado, fiquei a ouvir, me inspirando, então puxei uma caneta do bolso e passei a escrever o texto seguinte, que, aliás, contém um diálogo travado entre minha mãe e eu. Acho que comíamos peixe numa barraca de praia em frente ao mar. Faz tempo isso, foi em um dia
quando eu ainda era criança [não o sou mais, sou?].

PEIXINHO
- Mãe, eu queria ser um peixinho!
- Seja, meu filho.
Criança adora água e nisso não tem muita exigência, pode ser uma banheira cheia ou uma pia de lavanderia a transbordar, dando para molhar-se ali está ótimo! Gosta de chuva, criança, de sentir-se encharcar, de correr e pular, de cair e escorregar. Criança gosta de ler, de nadar - Um livro são palavras dispostas em forma de mar.
- Se eu for um peixinho, mãe, a senhora vai ser uma baleia, e o pai um tubarão!
- Tudo bem, meu filho.
Desconhecer coisas simples - como que o fato de esses animais serem de espécies diferentes inviabiliza uma árvore genealógica comum - pode aniquilar um pré-vestibulando, mas à uma criança serve de base para a imaginação. Criança gosta de criar! E qualquer semelhança etimológica entre aquele substantivo e esse verbo não seria mera coincidência.
- Mãe...





8 comentários:

Fran* disse...

Essa simplicidade encantadora das crianças..vontades malucas,desejos que pairam pelas suas cabecinhas quase sempre tão utópicas!Gostei,peixinho..rs
;*

Ana Luiza Valente disse...

Adorei, Ari.
Esse foi um tanto quanto tocante... Em sua simplicidade, foi lá no fundo, onde já esquecemos que existe.

Um beijo da Condessa !

Elô disse...

ai, ameeeeei!
acho que um dos seus textos que mais gostei até agora.. amo esses textos assim bem leves..
super inspirado. :)

Anso disse...

Ô kra sempre é um prazer em ver novos blogs! principalmente quando a profundidade das simplicidades são expressadas da forma q vc coloca... Espero ver vc novamente por aki!!

Grupo cRISe disse...

Ooolhaa.Adorei.Nós também somos crianças sim,nunca deixmos de ser.Jeniffer

Unknown disse...

interessante a complexidade
existente na simplicidade
de coisas aparentemente
tao simples q se mostram
nao tao simples XD
legal ver algo tao [besta]
sugerir uma reflexao simples,
mas nao besta =]
um abraçoo

Rodrigo; disse...

bom, eu acho que se eu falasse pra minha mãe que ela era uma baleia eu acho que ela não iria gostar mais enfim, quando a gente é criança tudo é bonitinho, cuti-cuti, ninguém nunca leva pelo lado ruim da coisa ^^

AriFilho disse...

hauhauhauhauahuahuah
é verdade Rodrigo, é verdade!
Gente, valeu pelos comentários.