OPINIÃO MÉDICA
(por Arimatéia Moura Filho em 19/08/09)
“... você precisa ter fé em alguma coisa...”
Dr. Mairton de Lucena
O Dr. Mairton de Lucena, neurocirurgião, foi convidado pelo centro de Biomedicina da UECE, no dia 19/08, para ministrar uma aula, e nos cedeu alguns minutos para esta entrevi
sta. Ele é católico apostólico romano, foi seminarista antes de mudar para a área médica e surpreendeu bastante em suas respostas. A fé cura? Perguntei. “Não”, foi convicto, “a fé pode ajudar em outras coisas, mas curar não” disse que a fé é importante para dar rumo, esperança. O que seria fé, na sua concepção pessoal? A resposta foi uma citação de Richard Dawkins, autor de ‘Deus, um delírio’: “A fé é a convicção que se tem sobre coisas que não se vê”. Falei sobre a rezadeira que foi entrevistada pela equipe, sobre a sua prática clínica e perguntei a opinião dele quanto a isso; afirmou respeitar a ação dessas pessoas que agem da forma como culturalmente foram ensinadas, e lembrou o exemplo dos índios, que também não tinham faculdade de medicina, mas atuavam no trato das doenças. Falou ainda que essa suposta mediunidade pode estar alicerçada na própria experiência de vida dessas pessoas, quando ouvem falar que remédio ‘x’ ou planta ‘y’ dá certo pra amenizar dor ou mal-estar. E disse que não acreditava em cirurgias espirituais. Perguntei se na hora de um procedimento médico de risco entrava a fé, ou se apenas o conhecimento cientifico era válido, ele disse que a fé era algo válido sim “...você precisar ter fé em alguma coisa...” algo que não lhe faça perder as expectativas mesmo quando elas já são humanamente esvaídas. Enfim, foi rápido, mas foi interessante. Redigindo essa entrevista concluo que a relação da fé com a medicina pode ser mais intrínseca do que aparentemente se vê, já que os pacientes, por menos crentes que sejam, depositam alguma ‘quantidade’ de fé na ação humana dos médicos.
sta. Ele é católico apostólico romano, foi seminarista antes de mudar para a área médica e surpreendeu bastante em suas respostas. A fé cura? Perguntei. “Não”, foi convicto, “a fé pode ajudar em outras coisas, mas curar não” disse que a fé é importante para dar rumo, esperança. O que seria fé, na sua concepção pessoal? A resposta foi uma citação de Richard Dawkins, autor de ‘Deus, um delírio’: “A fé é a convicção que se tem sobre coisas que não se vê”. Falei sobre a rezadeira que foi entrevistada pela equipe, sobre a sua prática clínica e perguntei a opinião dele quanto a isso; afirmou respeitar a ação dessas pessoas que agem da forma como culturalmente foram ensinadas, e lembrou o exemplo dos índios, que também não tinham faculdade de medicina, mas atuavam no trato das doenças. Falou ainda que essa suposta mediunidade pode estar alicerçada na própria experiência de vida dessas pessoas, quando ouvem falar que remédio ‘x’ ou planta ‘y’ dá certo pra amenizar dor ou mal-estar. E disse que não acreditava em cirurgias espirituais. Perguntei se na hora de um procedimento médico de risco entrava a fé, ou se apenas o conhecimento cientifico era válido, ele disse que a fé era algo válido sim “...você precisar ter fé em alguma coisa...” algo que não lhe faça perder as expectativas mesmo quando elas já são humanamente esvaídas. Enfim, foi rápido, mas foi interessante. Redigindo essa entrevista concluo que a relação da fé com a medicina pode ser mais intrínseca do que aparentemente se vê, já que os pacientes, por menos crentes que sejam, depositam alguma ‘quantidade’ de fé na ação humana dos médicos.
2 comentários:
Não acredito em cirurgia espiritual, pq na verdade o que está doente é a nossa matéria e não nosso espírito.
Esse assunto vai muito mais além do que imaginamos...
Mas fé todos nos temos até os mais DEScrentes.
Ótima abordagem de tema.
Parabéns
BjOs^^
Fé na vida, no futuro incerto, na fugacidade... Até porque a ciência só da conta de uma dimensão. Mas acredito que a fé motiva mesmo sem curar.
Abraço
www.costabbade.blogspot.com
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